segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

O belo está em tantos lados...

Estou acostumada a escrutinar os meus sentimentos desde pequena, a reter a memória física de cada sensação, sentimento. Ponho-as em palavras, julgo-as, abençoo-as. Durante muito tempo sempre que uma sensação um pouco diferente que me assombrava pela novidade, corria para o espelho para ver a minha expressão, a cara que eu tinha com aquela sensação e a parte do corpo na qual eu sentia a emoção. Fazia tal como faço apenas porque essa é a minha natureza mais profunda, a minha maior obsessão. A tristeza fica no meio do peito, até á barriga e se for demasiado intensa chego a sentir vácuo nas costas. Já a alegria é muito mais espalhada; ás vezes em criança, sentia uma felicidade tão grande não sei de onde, sentava-me no chão, o meu corpo era demasiado pequeno para conseguir suportar tal explosão.

De todas essas análises a mais interessante é a de reconhecer o belo aos meus olhos. Há um lugar em mim, próximo da nuca que me faz identificar,um arrepio até aos braços que vai e volta sucessivamente, mesmo através do espasmo muscular: o belo. Posso não entender muito a obra em questão( o caso de Euler com a expressão e^{i \pi} + 1 = 0 \,\! , não a compreendo como um matemático mas a minha nuca estala só de ver a explicação)
Não acontece todos os dias mas além de vermos tantas coisas bonitas por aí, há obras que nos tocam sem sabermos porquê mais que outras como a Guernica (Picasso), um Dalí (o mais emocionante para mim) até com um colega a tocar numa sala. Uma paixão vinda de uma necessidade de vibrar que entra sem bater a porta.

Cada vez que conheço alguém que me faz muito bem, descubro uma música maravilhosa como Chico Buarque, A sonata para piano em solM de Ravel, o livro as Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar (como algo pode ser tão belo!!!!!)

entre outras coisas: penso como foi possível viver até aqui, sem elas.