sábado, 10 de março de 2007
rede complexa
Precisamos muito bem gerir tudo para viver bem em família.
Muitas regras, dependendo da personalidade de cada um.
Pode estar subitamente tudo muito bem ou tudo muito mal, mesmo havendo imenso amor.
Basta pegar na peça de roupa errada, entrar a meio de um estudo, usar o perfume importantíssimo , prenda do namorado. Pode até ser deixar uma porta aberta,não desligar o aquecedor, não chegar mais cedo para almoçar, sair sem avisar, ter a infelicidade de não pescar nada de computadores e apagar todos os ficheiros que contêm a vida dos d'casa.
Pode haver respeito, mas com a liberalização de toda e qualquer expressividade de hoje, temos que usar o bom senso para não magoar nossos familiares.
Pior então são as família bomba:caracterizam-se pela presença de adolescentes. Aí então, alerta vermelho, sem mais nem porque, o adolescente explode, deixando confusa e doida qualquer alma que passe.
Muita paciência para esta.
Em qualquer família e em qualquer altura podem surgir problemas, financeiros, Stress, tédio, crises de identidade etc, que põem as duas alminhas que só se queriam juntar, na maior das guerras frias.
Para qualquer um dos casos, é mais fácil se soubermos que todos os problemas que temos com os demais, são na verdade causados por problemas connosco mesmo, a família é um lugar óptimo.
quinta-feira, 8 de março de 2007
memórias de um futuro
Aqui estou, meu neto, sentado na mesma cadeira manca, que abana como eu gosto.
Observo-te a entrar e a sair, o teu cumprimento define o teu dia. Um grande Ola! Um murmurar, as vezes bates com a porta outros nem dizes nada, apesar do carinho, assim sei de tudo e nunca nada te pergunto.
Vejo-te a ver passar os dias, tão ocupado em vir a ser um grande Homem, essa tendência para um abismo, um pânico de envelhecer (tal como eu tinha) de querer consumir o mundo numa grande refeição matinal e a consequente indigestão de factos, nem te deixa digerir o que comeste ontem.
Também eu não cometi esse erro de deixar passar a vida assim as três pancadas. É esse medo que nos mantém acordados e dispersos ainda que agoniados, e hoje não sou um velho amargurado.
Não penses que sabes o que vou dizer, pois além de dores e saudades do passado cruel, esta carroça cansada traz no corpo uma habituação instantânea da calma e paz.
Hoje não penso que falhei, mas sim quanto tempo demorei eu a aprender..Tu pensas aos meses quanto muito ao ano e eu em décadas, e nem suponhas que o meu raciocínio emocional é lento, não menino! É que entre o problema, depois pânico, stress, agonia, reflexão e calma, eu já só preciso do primeiro e do último, que me facilita muita coisa.
Entraste com as botas cheias de terra e se soubesses que a vida foi como o passeio que deste pela mata e o chegar a casa, ao fim da vida também, nos traz uma confiança, que o único pânico que tenho, já não são as penas, mas sim o vácuo e o não ser.
Nada te digo, sabes como é, aos 50 quer-se mostrar tudo o que se aprendeu, aos 80 que tenho , vou passar por chato, e por mais que saiba nem tenho vontade de te contar o fim do filme da vida (acho que será mais engraçado veres por ti...) e assim te vejo a entrar e a sair, tão amargurado com o passar dos dias e nem tu sabes que essa é que é a essência.