Horas tinham passado quando ouvi os seus passos,sob a relva que agora sentia que tinha amolecido talvez com a chuva que não ouvi cair. Conhecia de cor esses movimentos, mesmo de olhos fechados. Ele aproximou-se, pôs-me a mão no ombro. Senti aquele calor duma intimidade e confiança de anos de confissões . Virei-me. Senti-lhe o gelo, nos olhos azuis, atrás daquele cabelo preto que tantas vezes eu atacara com qualquer tesoura. Ouvi o instante assombroso que antecede a queda, porém desmenti apressadamente o pressentimento pelo seu carácter de pânico. O que seria mais, se não a conjectura dos meus próprios anseios? Nada acontece por acaso. Por erosão, essa rocha que era a minha mais querida amizade, tinha vindo a tornar-se pó, pelos ventos que minha própria mente tinha criado.
- Não posso mais. Tens que te cuidar sozinha. Vou-me embora.
Os olhos inchados de calor,reavivaram aquele sentimento de abandono, entre o abano constante e ritmado que meu corpo subitamente tinha ganho. Todos os padrões de salvamento que tinha criado ao longo dos anos, não me pareciam válidos. Nem me atirava para o chão a chorar, nem representava a fortaleza, nem a piedade de mim. Nada!Via as cenas de como iria passar este momento. Não. Não me apetecia nenhuma delas, menos ainda a compaixão. Num rasgo de luz, como uma ideia incandescente, lembrei-me: Nada dura sempre! Um dia passará.
Mas sim iria durar. E mesmo depois de ter entendido, que só a lei causa-efeito funciona correctamente, não vi, pela penumbra de sentimentos e principalmente desejos, de todo o mais forte de se ser amado, o porquê dessa causa.
Então repeti, uma vez mais, as palavras que iam e vinham todos estes anos, que soavam com mais ou menos relevo, em qualquer altura, até nas mais felizes: - Não posso. Tens que cuidar de ti sozinha. Vou-me embora.
E assim me abandonei.
sábado, 28 de abril de 2007
sábado, 14 de abril de 2007
Não nada, não tenho nada...
E, de repente, uma pedra do passado cai, pesada, dura, afiada sobre a minha fronte.
Ali deitada, sinto o que pensara já ter tornado areia, bater fundo e ecoar ate ao encontro das minhas memórias
Válida, e sempre afinal intacta, é na verdade, a minha essência e não um verme, que se instalou em mim para me sugar
Não!
Eu própria o faço, sem parar. Sugo-me sem dó, arrasto os pés;
Sei o caminho, o que quero e concretizo-o e depois, ai só me resta esta culpa sem dó de existir
Esta vergonha, tal como a criança que esconde a ferida com medo de ser humilhada pelo tombo em que se deixou cair.
De resto, sobra-nos a cultura, a vontade incessante de amar, de saber, que nos valoriza e que atenua essa culpa sem sentido.
De tanta dramatização só me posso recomendar:Ri minha amiga!que mais podes fazer contigo mesma? Ri e goza a tua dor descontraidamente, saboreando cada agulha que te perfura a espinha
Ali deitada, sinto o que pensara já ter tornado areia, bater fundo e ecoar ate ao encontro das minhas memórias
Válida, e sempre afinal intacta, é na verdade, a minha essência e não um verme, que se instalou em mim para me sugar
Não!
Eu própria o faço, sem parar. Sugo-me sem dó, arrasto os pés;
Sei o caminho, o que quero e concretizo-o e depois, ai só me resta esta culpa sem dó de existir
Esta vergonha, tal como a criança que esconde a ferida com medo de ser humilhada pelo tombo em que se deixou cair.
De resto, sobra-nos a cultura, a vontade incessante de amar, de saber, que nos valoriza e que atenua essa culpa sem sentido.
De tanta dramatização só me posso recomendar:Ri minha amiga!que mais podes fazer contigo mesma? Ri e goza a tua dor descontraidamente, saboreando cada agulha que te perfura a espinha
domingo, 1 de abril de 2007
caos
"Dans le monde réelement reversé le vrai est un moment du faux"
"La alienación del espectador en beneficio del objeto contemplado (que es el resultado de su propria actividad inconsciente ) se expresa así:
Cuanto más contempla menos vive; cuanto más acepta reconocerse en las imágenes dominantes de la necessidad menos compreende su propia existencia y su propio deseo."
CCB(Barcelona)
Ai a preguiça que antecede uma felicidade que chegará com os dias contados, é uma angústia sem desculpa
"La alienación del espectador en beneficio del objeto contemplado (que es el resultado de su propria actividad inconsciente ) se expresa así:
Cuanto más contempla menos vive; cuanto más acepta reconocerse en las imágenes dominantes de la necessidad menos compreende su propia existencia y su propio deseo."
CCB(Barcelona)
Ai a preguiça que antecede uma felicidade que chegará com os dias contados, é uma angústia sem desculpa
Doutor?
-Até quando acha que podemos ter amigos imaginários?
- Normalmente isso acontece na infância e pode durar até a adolescência....
- Não! Não eu!Eles...até que idade eles têm?!
- Normalmente isso acontece na infância e pode durar até a adolescência....
- Não! Não eu!Eles...até que idade eles têm?!
Assinar:
Postagens (Atom)